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Artigo

Excesso de produção & valoração indireta de bens

A sociedade atual funciona baseada em dois princípios simples: excesso de produção e valoração indireta de bens. E isso é uma consequência histórica: nos primórdios da civilização os seres humanos eram caçadores/coletores. Normalmente obtinham alimentos em quantidades próximas ou inferiores às necessárias para sobreviver e não produziam nada além de roupas e ferramentas rudimentares.
 
Com o passar do tempo e com o aprimoramento do uso de ferramentas, técnicas agrícolas e a domesticação de animais os seres humanos passaram a ter mais comida do que poderiam consumir. Este fato permitiu que algumas pessoas pudessem se especializar em conseguir alguns tipos específicos de alimentos, ou até mesmo se concentrar em tarefas que não estavam diretamente ligadas à subsistência.
 
Desta forma, um produtor poderia criar apenas galinhas, outro poderia criar apenas alfaces e um terceiro poderia criar apenas roupas ou ferramentas e todos eles poderiam realizar trocas entre o excesso de sua própria produção e o excesso de outrem. Vale mencionar que, neste momento as trocas ainda eram diretas: uma vaca valia 20 galinhas, um martelo valia 30 alfaces e uma pele de urso pro inverno valia 60 espigas de milho.
 
Com o aumento na população, no excesso de produção e na variedade de itens a serem trocados as negociações foram ficando cada vez mais complexas. Como definir quantas galinhas valiam um quilo de arroz e quantas alfaces valiam uma enxada?
 
A solução encontrada foi a valoração indireta de bens: criar uma moeda única para troca, hoje conhecida como dinheiro. Assim, uma galinha vale 10 reais, uma enxada também pode valer 10 reais, e com o dinheiro você consegue obter qualquer outro produto em excesso que outras pessoas produziram.
 
De forma bem simplista e reduzida, nossa sociedade ainda funciona assim: poucas pessoas produzem os alimentos necessários para nossa sobrevivência, enquanto a grande maioria restante pode ocupar seu tempo para produzir itens supérfluos para trocar com os demais.
 
Como nós conseguimos ter comida abundante, podemos também ter industrias têxteis, automobilísticas e até mesmo do entretenimento. Assim, tudo que a humanidade produziu durante sua história, desde a escrita, a matemática, passando pela democracia grega, as guerras romanas, o feudalismo, o renascimento, a era das grandes navegações, a invenção da prensa, o iluminismo, a revolução industrial, as guerras napoleônicas, a independência americana, o colonialismo, o socialismo, as grandes guerras mundiais e até a corrida espacial... tudo isso só ocorreu graças ao excesso de produção.
 
A sociedade atual é resultado dessa história, com todas as suas imperfeições, qualidades e defeitos. Não pode ser substituída ou remodelada, mas está sempre sendo aprimorada e transformada pela ação individual de seus membros, para melhor ou para o pior.
 
O primeiro ponto aqui é: todo ser humano que usa eletricidade, água encanada, usa roupas, sabe escrever ou que usa qualquer bem ou objeto que não tenha sido produzido diretamente por ele está pensando dentro da caixa da sociedade do século XXI. Isso porque você não pode estar apenas parcialmente inserido no sistema: ao usufruir de qualquer parte dele, automaticamente você está colaborando para a sua manutenção. O sistema não é perfeito. Está longe disso. Querer mudar e melhorar o sistema faz parte da essência do ser humano. Mas todos nós fazemos parte dele e colaboramos para a sua existência.
 
"O Sistema", aliás, não é um substantivo próprio. Ele não existe por sí próprio, não tem vontade nem racionalidade. Também não existem "algumas pessoas que controlam o sistema". "O Sistema" é uma ideia, um conceito. Uma abstração da nossa mente para tentar explicar e simplificar a soma de inúmeras e incontáveis partes que formam a sociedade, que nos influenciam, nos definem e nos cercam.
 
Quando falamos d'"O Sistema" estamos apenas falando da soma das ações de todas as pessoas, da inexorável marcha para a produção de bens em excesso e a sua troca, que permitem a produção de ainda mais bens.
 
Desta forma, podemos concluir que “O Sistema” é responsável pelos filmes, jogos de computador, livros, sapatos, pisos de cerâmica, privadas, talheres, asfalto, palitos de dente, miséria, obesidade, remédios, óculos, fome, canetas, coleiras, 9Gag, YouTube e qualquer outra coisa produzida pelo homem em escala industrial ou artesanal no mundo de hoje.
O segundo ponto aqui é: apesar de produzirmos bens em excesso, não produzimos uma quantidade infinita de nada. Isso define a principal lei do capitalismo: O valor de um produto é diretamente proporcional à sua disponibilidade e demanda. Explicando em  poucas palavras: se você produz uma quantidade limitada de algo e muitas pessoas querem esse algo, seu preço cresce. Por outro lado, se você tem uma grande quantidade de algo e poucas pessoas querem esse algo, seu preço decresce.
 
Esse é um efeito da valoração indireta de bens. “O Sistema” funciona assim. E, novamente, alguém só esta excluído do sistema e dessa forma de pensar se for responsável por produzir exatamente tudo o que consome e não consumir nada que seja resultado do excesso de produção de outrem.
 
A forma com que a sociedade está organizada atualmente faz com que a lei da oferta e da demanda tenha resultados bastante previsíveis: sempre teremos uma alta produção de papel higiênico, fazendo com que ele seja normalmente barato. A Ferrari vai continuar produzindo apenas algumas unidades de seus carros por ano, fazendo com que eles continuem custando milhões, mesmo tendo tecnologia muito semelhante à de carros que custam dez vezes menos. Café e matérias primas são sempre abundantes e baratos, e produtos industrializados são mais caros.
 
Entretanto, algumas vezes discrepâncias ocorrem: um furação nos EUA pode afetar a produção de laranjas, diminuindo sua oferta e aumentando exponencialmente seu preço. Empresas podem formar oligopólios para aumentar seus preços, ou uma indústria pode abaixar muito seus preços para prejudicar a concorrência.
 
Essa regra de aplica à arte também: algumas pessoas conseguem produzir conteúdo de forma original e única. Por isso quadros de Picasso e Vangogh valem milhões: as pessoas podem investir o capital excedente em itens de quantidade reduzida e desejados por muitas outras pessoas.
 
O interessante aqui é: nessa sociedade de excesso de produção e valoração indireta de bens não é o trabalho que é valorizado. Mesmo que alguém produza uma única tela a cada trinta anos de trabalho duro isso pode não aumentar automaticamente seu valor, pois ele será definido não apenas pela oferta, mas pela procura da oferta.
 
E é exatamente por isso que uma menina que participa de um campeonato chamado “Torre de Copos” e que (por coincidência) empilha alguns copos de forma rápida ganha R$ 150 mil, e um excelente  solista de orquestra ganha apenas R$ 35 mil em prêmios: o campeonato chama a atenção de muitas pessoas, gera receita e uma parte dela é repassada para a garota na forma do prêmio.
 
Entretanto, essa é uma visão simplista e isolada deste caso: o solista gerará, ao longo de sua carreira, muito mais dinheiro: existem menos pessoas capazes de se tornarem pianistas habilidosos do que empilhadores de copos habilidosos. Com o passar do tempo, muito mais pessoas empilharão copos de forma rápida do que pianistas habilidosos serão formados. Este excesso na oferta irá gerar mais oferta do que demanda por este tipo de entretenimento e, em pouco tempo, o nível de dinheiro obtido com este tipo de atividade irá diminuir até quase desaparecer.
 
Além disso, a indústria da musica clássica fatura muito mais e movimenta muito mais receita no mundo todos os dias do que o campeonato anual de terre de copos, justamente por haver menor oferta e maior demanda por este tipo de entretenimento do que pela exibição do empilhamento de copos. 
 
Nesta sociedade em que a lei da oferta e da procura influencia diretamente os preços da produção não é de se espantar, por tanto, que existam certos desvios. Mas estes desvios não devem ser confundidos com a regra. 

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